Julho
2007




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Reportagem
Relógio do Arco da Rua Augusta
Tiquetaque histórico
Em Setembro ficará concluído o processo de restauro de um dos
mais emblemáticos relógios da capital. O Arco da Rua Augusta irá ganhar um ritmo certeiro, à conta de uma iniciativa da empresa Torres Distribuição, co-financiada pela Jaeger-LeCoultre.
Fruto de contactos iniciados em 2005 com o Instituto de Gestão do Património Arqueológico (IGESPAR), na altura conhecido como IPPAR, a empresa Torres Distribuição – líder na importação e distribuição de marcas de alta relojoaria em Portugal – conseguiu finalmente luz verde para desencadear um processo de recuperação e de restauro de uma das mais vistosas máquinas do tempo lisboetas: o relógio do Arco da Rua Augusta. Trata-se de um autêntico património relojoeiro, cujo mecanismo é datado dos anos 30, pese embora não ser possível precisar a sua real origem. Sabe-se apenas, de acordo com Fernando Correia de Oliveira, jornalista e investigador do Tempo, da Relojoaria e das Mentalidades, que o Arco da Rua Augusta, “tal como hoje o vemos, terá recebido em finais do século XIX um mecanismo vindo do Convento de Jesus, que ‘não estava preparado para indicar as horas para o lado da rua’, segundo relato da época”. O especialista adianta que “o relógio passou a dar e a bater as horas aos alfacinhas a partir de 4 de De-zembro de 1883”. Mas parecia que ainda não tinha “acertado o passo”. “Peripécias várias e avarias levaram à sua substituição, já no século XX, por uma máquina da autoria de Manuel Francisco Cousinha”, tido, na altura, como um dos grandes construtores nacionais de relojoaria grossa, férrea, de torre ou monumental. Acon-tece, porém, que o funcionamento do mecanismo registou grandes hiatos, silenciando o tiquetaque por longos períodos. É tempo, agora, de recuperar a badalada.

O processo
Os procedimentos necessários para devolver aos lisboetas o relógio que, de certa forma, marca o tempo do poder – ou não estivesse ladeado de ministérios – serão da responsabilidade de um neto do relojoeiro Cousinha. Cumpre-lhe a tarefa de “ressuscitar” uma criação do avô. O processo arrancou no mês passado e terminará em finais de Setembro. Estes quatro meses serão consumidos, conforme explicou Luís Cousinha à ELITE, em diferentes etapas que principiam na “desmontagem do sistema” e respectivo transporte para a oficina. A fase seguinte é desmembrar o maquinismo e dar-lhe uma “lavagem com uma solu-ção desengordurante e de decapagem da tinta”. Depois, passa-se ao diagnóstico do que está mal e, de seguida, há que “fabricar, rectificar e encasquilhar os componentes degradados”. Mas a operação está longe de poder ser dada por concluída. É preciso ainda “polir e proteger com um verniz específico o mecanismo” e, posteriormente, pintá-lo com tinta anticorrosão. Após estar funcional e esteticamente arranjado, é reservado algum tempo ao “funcionamento em regime experimental, para ajustes e rectificações”.

Squadra Augusta é o nome da colecção limitada a ser lançada em Outubro,
para assinalar o restauro do Arco


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