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Longe do calor dos incêndios típicos desta época, o ex-ministro da Administração Interna de José Sócrates prepara-se para apagar outros fogos. A crise na câmara de Lisboa levou António Costa a candidatar-se a um lugar que nunca lhe desagradou. Dirigir os destinos da capital é um objectivo “para seis anos”, tempo para resolver alguns dos males que a atacam. E, nesta campanha, o ataque que mais lhe foi infligido relaciona-se com a polémica localização do novo aeroporto. Matéria que tanta tinta tem feito correr, arranca do advogado um simples ponto final. Poluição, insegurança e falta de capacidade são os argumentos que o candidato esgrime para condenar o aeroporto da Portela a uma morte anunciada que não quer adiar, admitindo a sua manutenção em paralelo com outra infra-estrutura. Mesmo perante uma eventual redução de 50% do volume de negócios gerado à conta de City & Short Breaks, segmento no qual Lisboa ocupa o segundo lugar do ranking de cidades europeias preferidas para estadas curtas. Se o assunto foi trazido pelos seus adversários políticos para apimentar a disputa à liderança do município lisboeta, não produziu o efeito desejado… Pelo menos, para o ex-número dois do Governo, que manteve a posição que sempre defendeu enquanto ministro. Nas urnas, o efeito poderá ser outro ou talvez não. Só a 15 de Julho se saberá se os alfaci-nhas darão a António Costa um presente de aniversário antecipado: a maioria absoluta que tanto tem pedido.
Quais são, no seu entender, os três principais problemas que afectam Lisboa, os mais prioritários?
Temos um programa que estruturámos em três tempos: o tempo de urgência, o tempo deste mandato de dois anos e o tempo de médio prazo, a seis anos, que faz sentido ponderar. No tempo de urgência, o mais importante é o saneamento da situação financeira, nomeadamente a resolução de múltiplos casos de urbanismo que têm suscitado o debate na cidade, comprometendo a credibilidade da autarquia e fragilizando a confiança dos cidadãos na sua câmara municipal. Entendo que é preciso uma acção rigorosa e urgente, para acabar com a imagem de desleixo no espaço público, quer através de um firme reforço da fiscalização do estacionamento, dos tapumes, quer através de uma acção mais enérgica na manutenção das calçadas e de diferentes espaços dos lisboetas. Estes são apenas alguns exemplos de problemas que necessitam de uma resposta rápida.
Essa resposta implicará investimento, numa altura em que a câmara tem uma situação financeira preocupante. Como é que se resolvem problemas sem dinheiro?
Acho que as pessoas não só estão muito cientes de qual é o estado financeiro da câmara, como têm perfeita consciência de que este é um mandato atípico, já que durará apenas dois anos. Portanto, não estão à espera de que alguém venha com uma varinha mágica prometer soluções milagrosas, fazer grandes obras, quando não há tempo para as realizar nem condições financeiras para as executar. Primeiro, temos de resolver os problemas urgentes, que são basicamente os que mencionei e que se enquadram num conjunto de iniciativas programadas para estes dois anos, e depois, temos que preparar, em paralelo, aquilo que é um trabalho de médio prazo, a desenvolver nos quatro anos subsequentes.
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