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Empresa - Mandala
A realidade
por trás da ficção
Exemplo de sucesso no domínio das produções fictícias,
sobretudo com o “Contra”, a Mandala também dá cartas na área
da publicidade, dos canais corporativos e da organização de eventos. “A favor” da informação, abrimos-lhe as portas da empresa que
rompeu com o conservadorismo associado à televisão pública.
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“Quando criei a Mandala, não tinha a menor ideia do sucesso que a empresa viria a ter. Pelo contrário, a minha primeira sensação foi de medo do desconhecido, de não ser capaz, de que alguma coisa pudesse correr mal”, lembra Mafalda Mendes de Almeida, directora-geral da Mandala – Empresa de Produção e Comunicação. Estava-se em 1987 e pesava ainda a ideia de que só o sexo masculino tinha endurance para triunfar no mundo dos negócios. “Tive uma educação que me transmitiu que quem tinha empresas eram os ho-mens, não as mulheres. Portanto, estava, de certo modo, perante uma inversão de papéis”, recorda. Não obstante, foi pela mão de um homem – “Dico”, o irmão – que se decidiu a avançar. Três anos depois, em 1990, concebe o formato que catapultou a Mandala para
o trilho do êxito: o Contra-Informação. O programa, transmitido pela televisão pública, merece o epíteto de “imagem de marca” da empresa, muito por conta do grau q.b. de polémica que lhe pode ser associado, já que não se priva de satirizar mesmo com os “senhores do poder”, audácia inerente ao projecto desde o início. “Sempre fez parte do modelo original o entretenimento com isenção e total independência partidária. Neste sentido, apesar de polémico, o Contra-Informação era um projecto perfeitamente enquadrável numa estação de serviço público.”
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Hoje, mais de 150 bonecos atestam que a actualidade pode ser trabalhada com elevadas doses de humor. E o facto de a família “Contra” continuar a crescer pode indiciar uma grande fertilidade da realidade portuguesa… Em vários domínios! “A RTP nunca teve qualquer espécie de interferência nos conteúdos. Sempre nos deu luz verde para desenvolvermos projectos. Daí termos criado vários filhos do ‘Contra’: o Contra-Culinária, o Contra-Selecção, o Contra-Zapping e o Bar da Liga”, assegura a directora-geral. Mas, para Mafalda Mendes de Almeida, a descen-dência só fica completa no dia em que o Contra-Fashion for elevado “à categoria de programa”. Admitindo que não o é, não está de parte a pretensão de fazer, “pelo menos, uma passagem de modelos muito especial”.
Os bastidores
Para quem não sabe, Mandala, em sânscrito, significa uma representação geométrica, em forma de círculo, da dinâmica relação entre o homem e o cosmos. Esta dica serve de pista acerca da matéria-prima usada pela empresa, sobretudo no domínio dos formatos televisivos, caso do Contra-Informação. O pontapé de saída do processo criativo é o momento. “É a actualidade a ditar a necessidade de ter este ou aquele boneco, facto que decorre da notoriedade das personagens, as quais, de algum modo, se evidenciam na
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sociedade ou no mundo”, explica a empresária. Depois, estuda-se o lado caricato dessas figuras, e Pablo Bach – considerado um dos melhores caricaturistas tridimensionais do mundo – executa os moldes que dão forma aos bonecos. A fase seguinte engloba a pesquisa de tiques ou maneirismos, a definição do guarda-roupa e da voz. A elaboração dos guiões é da responsabilidade de Rui Cardoso Martins, José Pina e Filipe Homem Fonseca. O resto do processo passa pelos procedimentos habituais na produção de um programa, designadamente a gravação e a edição das vozes, etapa que precede a interpretação pelos bonecos, seguida da edição e composição
da imagem. “Tudo isto pode ser feito em oito ou oitenta horas, dependendo da complexidade do texto e da urgência”, sublinha Mafalda Mendes de Almeida. “Quando o Contra-Informação era um programa diário, era tudo mais rápido. O facto de ser emitido ao final de cada dia obrigava a reagir depressa”, completa. Por vezes, a actualidade fazia das suas e, em reflexo disso, ocorreram “alguns sufocos e houve programas entregues com minutos de antecedência em relação à sua emissão”.
Junte Prémios atribuídos
ao programa Contra-Informação
• Prémio de Inovação 2003 – O Primeiro de Janeiro; Categoria: Televisão
• Prémio Bordalo da Imprensa 2000; Categoria: Televisão
• Prémio Pedrada no Charco: Rádio Central FM;
Categoria: Melhor Programa de Televisão
• Nomeação para Globo de Ouro 1998;
Categoria: Melhor Programa de Ficção e Humor (SIC)
• Nomeação para Troféu Nova Gente 1997;
Categoria: Melhor Programa de Ficção e Comédia
• Globo de Ouro 1996; Categoria: Melhor Programa de Ficção e Humor (SIC)
• Nomeação para Troféu Nova Gente 1996;
Categoria: Melhor Programa de Ficção e Comédia |
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