Em termos de desporto automóvel, não há nada que
se compare à mítica corrida francesa, disputada no circuito de La Sarthe, denominada 24 Horas de Le Mans. Para vencer neste histórico circuito, onde se corre desde 1923 – interrompido apenas em 36, devido à crise da indústria francesa, e entre 40 e 48, em virtude da Segunda Guerra Mundial –, é necessário aliar rapidez e resistência de pilotos e mecânicas, submetendo chassis, moto-res, transmissões e pneus a esforços que raramente encontram rival.
Entre 2000 e 2007, a Audi venceu Le Mans por sete vezes – interrompendo apenas em 2003, quando o grupo VW decidiu inscrever e vencer com a marca Bentley e não Audi – e deu-se mesmo ao luxo de surpreender tudo e todos quando, em 2006, participou com motores diesel, vencendo com o mesmo à-vontade com que ganhava anteriormente com mecânicas a gasolina. Mas a corrida deste ano prometia ser diferente, uma vez que a Peugeot desenvolveu o 908 HDI, similar ao Audi R10 TDI, e prometia bater-se pela vitória, tanto mais que estava a jogar em casa.
 |
Os treinos decorreram de forma animada e com um certo equilíbrio, com os dois Peugeot a revelarem uma rapidez notável – alcançando a 1.ª e a 3.ª posições neste seu regresso à prova, depois de 14 anos de ausência –, enquanto os três Audi ficavam pelos 2.º, 4.º e 5.º lugares da grelha de partida. Mas este sucesso da marca francesa seria sol de pouca dura, tanto mais que a edição decorreu sob chuvadas intensas. O Peugeot n.º 8, precisamente o que o piloto português Pedro Lamy dividia com Sarrazin e Boudais, foi o mais rápido nos treinos e até às primeiras curvas, mas depois os Audi saltaram para a liderança e da 1.ª volta à 369.ª não mais largaram a 1.ª posição. Aliás, a partir da 9.ª volta, a marca alemã tinha os seus carros classificados nas três primeiras posições, com a Peugeot a mostrar que não conseguia rivalizar com a rapidez dos Audi em ritmo de corrida.