
Magazine - Global Champions Tour
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Saltos que valem milhões
Entre os dias 1 e 3 de Julho, o hipódromo Manuel Possolo, em Cascais, acolheu a 6.ª etapa do Global Champions Tour, o mais importante concurso de saltos do mundo. O evento trouxe ao nosso país a elite dos cavaleiros, e cavalos que não só são verdadeiros atletas de alta competição, como valem milhões de euros.
A amazona alemã Meredith Michaels- -Beerbaum (na fotografia de abertura) regressou às vitórias no hipódromo Manuel Possolo, ao vencer pela segunda vez – a primeira foi em 2008 – o Grande Prémio de Portugal de Hipismo do Global Champions Tour (GCT). Internacionalmente reconhecido como a Fórmula 1 do hipismo, neste circuito mundial só concorrem cavaleiros e montarias de elevado nível, pelo que estiveram no nosso país os melhores dos melhores. O concurso conta com 30 dos 35 cavaleiros mais bem classificados do ranking, entre os quais campeões olímpicos, mundiais e europeus. No Estoril, destaque para as presenças do campeão do mundo Jos Lansink (Bélgica), do campeão europeu Kevin Staut (França) e do tricampeão da Taça do Mundo Marcus Ehning (Alemanha). Pese embora fossem grandes as expectativas à volta destes concorrentes, certo é que apenas um subiu ao pódio – o belga Jos Lansink e o seu Cavalor Valentina van ‘t Heike, que conquistaram o bronze. Marcus Ehning e o Plot Blue ficaram entre os 10 primeiros (7.º lugar), mas o francês Staut, a montar o Le Prestige St Lois, esteve longe das suas melhores exibições e acabou por se estabelecer no 27.º posto. Este resultado permite afirmar, com justiça, que a prestação portuguesa foi boa, pois apesar de nenhum dos cinco conjuntos nacionais ter garantido o apuramento para a segunda mão, a dupla Luciana Diniz/Lennox posicionou-se à frente de estrelas como Staut, ao cumprir o percurso em 69,50 segundos com uma penalização de quatro pontos – a mesma que foi aplicada ao francês, quase dois segundos mais lento (71,43). Com esta prestação, a cavaleira luso-brasileira (recentemente nomeada embaixatriz do Banco Privée Espírito Santo) instalou-se no 21.º posto do Grande Prémio de Portugal, nove lugares acima da segunda dupla portuguesa mais bem classificada, Francisco Moura/Julietta Rouge. O conjunto Luís Sabino Gonçalves/Misteur des Vaux ficou em 31.º, com João Chuva/Pluco e Francisco Rocha/Martinhal Nanuk II du Ry a alcançarem um 34.º e 35.º lugares, numa tabela que fechou com 39 classificados.
A dificuldade da prova
Em jogo, esteve o maior prize money do circuito, 400 mil euros, 325 mil euros dos quais foram distribuídos entre os 18 melhores em prova, com o grosso desta fatia a ser entregue aos três primeiros. Meredith, que foi mãe recentemente, mostrou a sua boa forma e liderou a prova com o Checkmate. Concluiu, sem faltas, em 44,11 segundos, marca que lhe garantiu um prémio de 100 mil euros, relegando para o 2.º lugar Marco Kutscher, com o Cash 63 – nome curiosamente apropriado, na medida em que a performance do cavaleiro alemão (45,82 segundos) nesta montada lhe permitiu receber um cheque de 65 mil euros. Metade do prize money ficou no pódio, já que o belga Jos Lansink (51,87) arrecadou 45 mil euros, completando assim uma generosa fatia de 200 mil euros. A verba, longe de ser despicienda, procura captar o interesse da elite mundial de cavaleiros, pois estes são os primeiros a ter uma noção de quanto valem os seus cavalos. Autênticos atletas de alta competição, os equinos eleitos pelos concorrentes para tentar chegar ao pódio são únicos no mundo e, como tal, chegam a valer quantias exorbitantes. Só para se ter uma ideia, no ano passado, uma publicação estrangeira fez as contas e chegou à conclusão de que os cavalos (à volta de 90) que se deslocaram para disputar a etapa brasileira do GCT valiam qualquer coisa como 182 milhões de euros. Significa isto que, em média, cada exemplar destes custa 2 milhões de euros. O número pode subir ou descer consoante a raça, o histórico genealógico (pureza) e o palmarés familiar, pelo que certamente há cavalos neste circuito que ascendem aos 3 milhões de euros. Paralelamente ao seu desempenho na competição, que se pode traduzir na conquista de elevadas recompensas monetárias, estes espécimes permitem outro tipo de negócio – a reprodução. O sémen de um garanhão cobiçado vale uma pequena fortuna. Como tal, todos os cuidados são poucos para preservar tamanha riqueza. Submetidos a constantes esforços em treinos que os visam manter na mais elevada forma competitiva, os cavalos passam também muito tempo a viajar. De aeroporto em aeroporto, é necessário assegurar que as viagens em nada comprometem a sua participação, pelo que os cavaleiros tratam de se certificar de que o animal lounge reúne as devidas condições. Essa preocupação estende-se ao local onde vai decorrer a prova, com as instalações a terem de cumprir uma série de requisitos. Aliás, não é de ânimo leve que o Estoril integra o GCT desde a sua primeira edição (2006), após uma profunda requalificação do hipódromo, numa obra que representou um investimento de 2 milhões de euros e que agrada sobremaneira à organização do GCT.
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