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Especial - Mafra

Sons monumentais
O palácio, o convento e a tapada nacional de Mafra são candidatos a Património Mundial da UNESCO. A candidatura foi oficializada num concerto único, com os seis órgãos da basílica do Convento de Mafra a proporcionarem um espectáculo que não se ouvia há 200 anos.

Há tesouros escondidos. É essa a conclusão a que chegamos quando nos apercebemos de que, afinal, há detalhes sobre o país que desconhecemos. Detalhes tão relevantes quanto o facto de Mafra ser detentora de um património único no mundo. A verdade é esta: nenhum outro país se pode gabar de ter seis órgãos, concebidos e construídos para serem tocados em conjunto, com um repertório próprio. Com um inestimável valor histórico, estes instrumentos possuem um total de aproximadamente 12 mil tubos e o nome de cada um está associado à capela onde se encontra instalado: Evangelho, Epístola, Sacramento, São Pedro de Alcântara, Conceição e Santa Bárbara. Porém, há muito que estas relíquias estavam por explorar. Foram precisos mais de 11 anos de trabalho e um investimento de 1 milhão de euros para que ecoassem de novo na basílica de Mafra os incomparáveis sons produzidos por este conjunto.
Perante uma audiência de aproximadamente mil convidados, quebrou-se o silêncio de dois séculos – apenas interrompido por alguns populares revoltados por verem a sua entrada vedada –, concretizando-se assim uma experiência acústica ímpar. De valor inestimável pelo seu significado histórico, musical e patrimonial, na opinião do secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, este concerto inaugural sinalizou “uma década de esforços, apoiados na sensibilidade dos deveres do Estado para com o património e a consciência cívica da economia de iniciativa privada que, em conjunto, acreditaram na transversalidade da acção cultural e no inovador e estratégico cruzamento dos seus contributos”. O governante mostra-se agradado com o facto deste projecto ter merecido o apoio do Barclays. Por seu turno, o CEO do banco em Portugal, Peter S. Mottek, explica que o envolvimento neste desafio é a continuação de uma parceria que se iniciou em 1996. Foi nessa altura que o Barclays patrocinou o 1.º Festival Internacional de Música de Mafra. Desde então, a relação com a vila e com a região tem se estreitado. “Em 1999, assinámos um protocolo com o Instituto dos Museus e da Conservação (IMC, ex-IPPAR), tornando-nos assim parceiros no trabalho de recuperação dos órgãos da basílica de Mafra”, remata Mottek.


No concerto inaugural, perante mais de mil convidados, o alinhamento evidenciou compositores portugueses como Carlos Seixas (1704-42) e Marcos Portugal (1762-1830)
 
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