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Entrevista - Luís Marques Mendes

Mudar de vida
É este o lema defendido pelo ex-líder do PSD no seu mais recente livro e reafirmado nesta entrevista. Marques Mendes diz onde é preciso mudar: Estado, Justiça, Fiscalidade e Educação. Assume que todos os partidos, incluindo o seu, não resistem ao clientelismo, mas antecipa a vitória de Pedro Passos Coelho nas próximas legislativas. E desafia os sindicatos a assumirem, “pela primeira vez”, uma atitude construtiva para ultrapassar a crise.

Já passaram dois anos desde que abandonou a liderança do PSD. Já sentiu vontade de regressar à política activa?
Não tenho rigorosamente nenhuma saudade da vida partidária política, em particular, do exercício de cargos. Já a intervenção e a opinião políticas são algo que me agrada e que vou fazendo como um hobbie semanal na TVI24. À margem disso, desenvolvo a minha actividade profissional. Assim, estou feliz e preenchido.
Já sentiu que, de alguma forma, as críticas que lhe apontaram enquanto dirigente do PSD são agora caladas (não ditas) em relação a Pedro Passos Coelho?
Não faço esse tipo de comparações e nem sequer me preocupo com isso. Devo dizer que, em 22 anos de vida política, fui alvo de críticas, mas também recebi muitos elogios. Por vezes, as críticas foram injustas, mas tal nunca me magoou ou deixou ressabiado. Quem se envolve na vida política deve estar preparado para ser criticado. Espero que o actual líder do PSD adopte essa mesma atitude, porque é esta postura que nos permite seguir o nosso caminho e executar o nosso projecto.
“Ninguém tem dúvidas de que
o Governo vai cair, só não
se sabe exactamente quando”
O PSD – e são alguns dos mais reputados elementos do partido que o dizem – atravessa há muito uma crise. E isso é visível quer nas lideranças contestadas quer em resultados eleitorais. O partido está afastado do poder desde 2004. Acredita que vai sair um governo social-democrata com maioria absoluta das próximas legislativas?
Acredito sinceramente. Neste momento, ninguém tem dúvidas de que o Governo vai cair, só não se sabe exactamente quando. Pedro Passos Coelho será o próximo primeiro-ministro. Nos últimos anos, o PSD atravessou um período de crise, mas está a sair dela. Já o país está em crise e precisa de soluções. O novo líder do partido tem o mérito de, neste contexto, não se cingir à crítica. Pelo contrário, está a cultivar uma imagem de Estado e a consolidar uma ideia de alternativa. Creio que se estão a reforçar as condições para que o PSD regresse ao poder.
Se esse resultado se concretizar, como é que deverá ser interpretado: como um voto de confiança no seu partido ou como uma punição às políticas de José Sócrates?
Ambas as leituras encaixam na renovação dos ciclos governamentais. É assim que as coisas se passam na política: os cidadãos decidem em função do mérito de uns e do demérito de outros. Provavelmente, o PSD irá ganhar as próximas eleições em grande medida por demérito do adversário, que está desgastado e desacreditado. No entanto, há que reconhecer que Pedro Passos Coelho tem feito uma forte oposição. A sua liderança inaugurou um novo ciclo político que irá culminar com a vitória nas próximas legislativas.
Crê, portanto, que o PSD está apto a dar uma resposta firme aos problemas que o país atravessa?
Sem dúvida. As pessoas não se alimentam apenas de críticas. Precisam de um discurso e de uma acção que crie esperança, ambição e expectativa. Felizmente, isso hoje está a acontecer pela razão mais importante de todas: o país. Os portugueses estão angustiados, desorientados, deprimidos. Tem-se a sensação de que se vive uma degradação económica, social e das próprias instituições democráticas. Com este estado de alma tão negativo é preciso um choque de vida, e isso só acontecerá com um novo Governo. É esta expectativa de vida e este ambiente de esperança que a nova liderança do PSD está a criar, pouco a pouco.
 
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