O choque ecológico
Ecologia e economia protagonizam o casamento perfeito dos tempos modernos. A tendência veio para ficar e encontra-se nos mais diferentes domínios. No futuro, as cidades serão sustentáveis. Para já, dão-se os primeiros passos em edifícios emblemáticos e aposta-se em alterações legislativas que promovam a eficiência energética.
Imagine-se a sobrevoar de helicóptero uma cidade como Portland, no noroeste dos Estados Unidos da América, nas imediações da confluência dos rios Willamette e Columbia. O que acha que veria? A fotografia que vê foi ao encontro da sua imaginação? Pois, a verdade é que esta cidade do estado de Oregon é exactamente assim: ecológica! Conhecida como a Cidade das Rosas – pois o seu clima é favorável à exuberância dos roseirais –, Portland é um exemplo a seguir no que toca a hábitos amigos do ambiente. A cidade mais verde dos EUA beneficiou de um sistema em que o governo estimulou a implementação de automóveis movidos a energia eléctrica, no sentido de minimizar as emissões de CO2. Mas se esta foi a regra aplicada à mobilidade, em matéria de construção há incentivos fiscais e outros subsídios para que os construtores instalem ecotelhados. Estes telhados verdes, a lembrarem os jardins suspensos da Babilónia, não são propriamente uma novidade – no século XIX eram comuns os tectos de colmo e as casas de madeira no norte da
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Europa, por exemplo. Contudo, aquilo que mais abunda actualmente são os telhados avessos à natureza, impermeáveis. Testes efectuados demonstram que estas coberturas estão longe de ser amigas do ambiente e da carteira. É sobretudo este último argumento que leva a repensar a utilidade de investir num telhado ecológico, como o que o cobre o City Hall de Chicago e que serviu de exemplo para implementar por toda a cidade, sob a orientação do mayor, um programa que apoia este tipo de sistemas. Como em tudo, há vantagens e desvantagens neste capítulo. Mais caros do que os convencionais, os ecotelhados duram mais e servem como reguladores térmicos das cidades, reduzindo até 3ºC a temperatura e ajudando a diminuir o efeito de estufa. Além disso, facilitam a circulação atmosférica, absorvem a água das chuvas e contribuem para uma redução do consumo (e do custo) energético, graças às suas características isoladoras que, inclusive, se reflectem num isolamento acústico mais eficaz. Mas, em números, em que é que isto se traduz? Os especialistas respondem que enquanto uma cobertura normal pode aquecer até aos 60ºC, uma com relvado chega apenas aos 25ºC. Quando chegam as contas, percebe-se a vantagem de dispensar o ar condicionado: a factura energética beneficia de um corte de até 30%.
Segundo a arquitecta Ana Padrão Dias do grupo EcoCasa da Querqus, do ponto de vista governamental, “existem vários níveis de actuação importantes, mas o mais fundamental é fazê-lo de forma integrada e sem perder de vista o conceito de sustentabilidade”. Para a ambientalista, “só um verdadeiro equilíbrio entre as três vertentes da sustentabilidade – económica, social e ambiental – se pode traduzir em medidas benéficas para a humanidade, o planeta e o desenvolvimento”.