Sainz brilha com V W
O Dakar de 2010 vai ficar na história. Não só foi a última edição disputada na América do Sul, com a competição a regressar a África, o seu lugar de eleição, já em 2011, como viu o espanhol Carlos Sainz chegar à vitória e a VW ganhar pela segunda vez consecutiva a prova mais dura do mundo.
O Dakar teve a sua primeira edição em 1979, quando 182 concorrentes deixaram Paris rumo à capital do Senegal, através de um percurso de 10 mil quilómetros pejado de incertezas e recheado de dificuldades, onde homens e máquinas, de duas e quatro rodas, seriam postos à prova em condições muitas vezes sobre-humanas. Mas a mítica maratona, inicialmente denominada Paris-Dakar, mais tarde Lisboa-Dakar (entre 2006 e 2008, ano em que a prova foi anulada por problemas relacionados com a segurança na travessia do Norte de África) e nos últimos dois anos Argentina-Chile, continua a ser uma das manifestações desportivas com maior notoriedade em todo o mundo. Concilia aventura com resistência e rapidez com estratégia, cocktail que se tem revelado extremamente aliciante para os melhores do mundo, entre pilotos e fabricante de veículos.
A segunda edição do Argentina-Chile apresentou- -se como sendo capaz de grandes surpresas e de fazer com que os vencedores apenas fossem conhecidos na última das 14 etapas previstas. Nas quatro rodas, ia acima de tudo tratar-se de um duelo entre a VW, que venceu em 2009, e a BMW, que desta vez contava com os serviços de Peterhansel, que já venceu por oito vezes, seis em moto e três em automóveis. Mas à espreita de uma oportunidade para surpreender os favoritos estava a Mitsubishi, cujos carros estavam entregues a equipas privadas, bem como os Hummer, um buggy de apenas tracção atrás que faz a vida negra aos rivais nas etapas mais rápidas, principalmente quando é Robby Gordon quem está aos comandos.
VW controla
Apesar da dureza dos mais de 9000 quilómetros do percurso, os concorrentes começaram o Dakar de 2010 ao ataque. Nani Roma, que tal como Peterhansel trocou este ano a Mitsubishi pela BMW, foi o mais rápido, à frente de Sainz, desejoso de não correr riscos, tendo ainda presente que abriu mão da vitória em 2009 por uma distracção quase no final, quando liderava folgado, oferecendo o título a De Villiers, o seu companheiro na VW. Peterhansel foi 3.º, Al-Attiyah foi 4.º (que trocou a BMW pela VW), à frente do sul-africano De Villiers (VW). Após o quarto dia de prova, era óbvio que os BMW estavam a andar mais do que a fiabilidade das suas mecânicas lhes permitia e Roma tinha pago o abuso com um abandono prematuro.