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Dossier - Economia em 2010

Cenários possíveis
A redução do défice das contas públicas não deverá ocorrer antes de 2011 e, para 2010, espera-se que o desemprego estabilize, com o consumo a voltar a terreno positivo, mas contido, em reflexo da apreensão das famílias face a uma recuperação lenta e prolongada da crise.

Olhando para os números, facilmente se “lê” a palavra crise. O ano que agora se encerra fica marcado pelo impacto da crise internacional que, de acordo com diversos especialistas, apenas veio evidenciar mais depressa os problemas estruturais com que se debate a economia portuguesa. Mas o ano de 2010 não adivinha grandes facilidades. As previsões disponíveis sugerem um optimismo cauteloso. A União Europeia (UE) acredita que a economia portuguesa deverá registar um desempenho melhor do que a maioria dos restantes Estados-membros, mas prevê que a evolução no próximo ano se processe com maior lentidão do que na generalidade dos países. As contas públicas também vão se deteriorar, esperando-se que a dívida pública possa atingir os 77,4% do PIB em 2009 e os 84,6% em 2010. Embora estas estimativas estejam em linha com a média da Zona Euro e da UE, certo é que em 2002, por exemplo, a dívida pública portuguesa se fixava nos 55,5% do PIB. A confirmarem-se estas previsões, o nosso país será, em 2010, o quinto pior neste indicador de sustentabilidade, com a possibilidade de um agravamento até aos 91,1% em 2011.
Quanto ao desemprego, nos últimos dados de conjuntura da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), indicam que a taxa de desemprego em Portugal apresentou um aumento de 0,1% de Setembro para Outubro de transactos, fixando-se em Outubro nos 10,2%, mais 1,9 pontos percentuais face ao mesmo mês de 2008. Em Novembro, os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) situavam a taxa nos 9,8% para o terceiro trimestre (547.700 desempregados), sete décimas acima do apurado no trimestre anterior (9,1%). Já a Comissão Europeia antecipa uma taxa de desemprego na Zona Euro de 9,5% em 2009, seguida de 10,7% no próximo ano e de 10,9% em 2011. Segundo a UE, o cenário para 2010 é de estabilização em Portugal, admitindo-se que a taxa se mantenha nos 9% expectáveis em 2009. A ser assim, Portugal destaca-se de 14 países com desemprego superior, revelando-se melhor do que o estimado para a Zona Euro (9,5%) e para a UE (9,1%). No entanto, o agravamento do desemprego é o cenário mais provável traçado pelos economistas para os próximos anos.

RECESSÃO CONTINUA
Com o desemprego a começar a baixar apenas em 2011, as famílias portuguesas optarão em 2010 por consumir menos.
O Economic Outlook da OCDE, apresentado em meados de Novembro, aponta para um crescimento da economia portuguesa de 0,8% em 2010 e nova subida de 1,5% em 2011, considerando, no entanto, que uma das grandes prioridades deve ser o planeamento e a implementação gradual da consolidação fiscal. O crescimento da economia portuguesa só chegará no final de 2011, e será sustentado pelo aumento da procura interna. Segundo as previsões da OCDE, o défice orçamental deve atingir os 6,7% do PIB em 2009, crescendo para os 7,6% em 2010 e para os 7,8%, em reflexo dos estímulos do Governo à economia e dos efeitos da crise, que causaram uma forte redução da receita e um aumento da despesa.
A organização espera que as exportações recuperem para os 1,7% em 2010 e para os 3,2% no ano seguinte. O consumo privado em 2009 deverá terminar o ano em valores negativos em 1%, acelerando para os 0,6% em 2010 e para os 0,9% em 2011. Porém, o consumo público terá uma evolução contrária, terminando o ano nos 1,4%, e caindo para os 0,6% em 2010 e 2011. No seguimento desta análise, a OCDE afirma que a taxa de poupança das famílias deve chegar ao final de 2009 nos 9,6%, diminuindo ligeiramente em 2010 (8,9%) e 2011 (8,8%). À partida, o investimento vai baixar 13,6% em 2009, recuperando para terreno positivo já no próximo ano (0,4%), e acelerando para os 2,9% em 2011.A OCDE prevê ainda uma inflação negativa em 0,9% em 2009, evoluindo para valores positivos em 2010 (0,7%), e aumentando ligeiramente em 2011 (1%).

 
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