Tops & Flops
A época de 2009 foi rica em surpresas, com muitos vencedores, como a Brawn, a Mercedes e a Redbull, mas com um número ainda maior de vencidos, com destaque para a BMW, que se afasta da Fórmula 1 vexada. O ano de 2010 promete uma nova realidade, com menos custos, mais equipas privadas e menos construtores representados oficialmente.
A época de F1 de 2009 arrancou quando ainda poucos falavam de crise, mas isso não impediu que, ainda antes dos carros saírem para a pista na Austrália, já a Honda entrasse num período de contenção e abandonasse as corridas. Ross Brawn, o director técnico responsável pelos títulos de Schumacher na Benetton e na Ferrari assumiu o controlo da equipa, com a ajuda da Mercedes que lhe forneceu os motores, à semelhança do que fazia com a McLaren e a Force India. Com um carro bem nascido, num período em que a aerodinâmica era determinante, os carros da Brawn GP venceram seis das sete primeiras corridos do ano e sempre com Jenson Button – uma vez que Rubens Barrichello era muitas vezes mais rápido, mas foi perseguido pelos azares no início de época. No final das 17 provas, vitória para os Brawn-Mercedes no Mundial de Pilotos e de construtores, com o carro em que a Honda não acreditou, ao contrário do seu projectista e da Mercedes, a provar que uma equipa com um orçamento mínimo pode ser Campeã do Mundo, se tiver o melhor projectista e o melhor carro. E Ross Brawn mostrou que, mesmo sem Michael Schumacher, piloto campeão em 1994, 1995, 2000, 2001,2002,2003 e 2004 com os seus carros, consegue ganhar campeonatos.
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Se a Brawn GP é a grande vencedora de 2009, a Mercedes partilha por direito próprio este sucesso, pois não estando representada directamente da F1, detinha 40% da McLaren e fornecia os seus motores a três das equipas que disputavam o campeonato. O V8 com 2,4 litros e limitado a “apenas” 18 mil rotações, capaz de desenvolver cerca de 780 cv, venceu 10 das 17 provas de 2009 – oito para a Brawn (seis com Button, duas com Barrichello) e duas para a McLaren – atestando a sua eficácia e resistência.
Brilhante foi igualmente a época da Red Bull-Renault, que conquistou seis vitorias com Vettel (quatro) e Webber (duas), tendo a equipa realizado uma segunda metade do ano impressionante, com destaque para as três vitórias nas três últimas provas do campeonato. Mas este sucesso da Red Bull Racing nada tem de surpreendente. E isto porque a equipa do austríaco Dietrich Mateschitz, proprietário da conhecida marca de bebidas energéticas, conta com Adrian Newey como responsável técnico, o único projectista que na F1 pode rivalizar com Ross Brawn. Foi da sua pena que nasceram os Williams campeões em 1992 (Nigel Mansell) e 1993 (Alain Prost), bem como os McLaren que conquistaram o ceptro em 1998 e 1999, sempre com Mika Häkinen aos volante.
Mercedes na F1 - Regresso dos Silver Arrow
Precisamente 75 anos depois, a Mercedes regressa oficialmente à Fórmula 1. Pintados no habitual cinzento metalizado, os “Flechas Prateadas” voltam a defender as cores da marca.
O pináculo do desporto automóvel é, de longe, a Fórmula 1 (F1), com milhões de adeptos no mundo inteiro, e que se assume como a forma ideal para um construtor demonstrar a mais-valia do seu potencial tecnológico. E não há amante da modalidade que desconheça o currículo de êxitos da Mercedes na F1. Os mais jovens têm presente sobretudo os últimos 15 anos de história, quando o construtor germânico, a partir de 1995, se associou à McLaren, ligação que ainda se mantém e que já permitiu conquistar um Campeonato do Mundo de Construtores para a McLaren Mercedes em 1998 e três títulos de Campeão do Mundo de Pilotos, dois para Mika Häkinen (1998 e 1999) e o terceiro para Lewis Hamilton (2008). Mas a realidade é que os sucessos da Mercedes na F1 vão além destes 15 anos e quatro títulos. Os mais velhos, ou os mais apaixonados pela história, recordam a primeira vez que a marca disputou oficialmente corridas de Grande Prémio. O W25, que correu entre 1934 e 1937, entregue a pilotos como Rudolf Caracciola (sagrou- se Campeão Europeu em 1935, ano em que conquistou nove vitórias), era um fórmula com motor de oito cilindros em linha, sobrealimentado, que teve capacidades entre 3,8 e 4,7 litros, com potências entre 350 e 490 cv, tudo isto para um peso máximo que não podia ultrapassar os 750 kg. Curiosamente, é a este W25 que se deve a denominação “Flechas Prateadas” pois em 1934, e ainda antes da entrada dos patrocinadores num mundo da competição, os veículos de GP surgiam na cor do país que representavam, com o verde a pertencer à Inglaterra, o vermelho à Itália e o branco à Alemanha. Sucede que o W25 se apresentou nas verificações técnicas com 751 kg, e de pronto se decidiu ganhar o kg em excesso retirando a pintura. No dia da prova, que viriam a vencer, os W25 apareceram com a cor metalizada resultante da sua carroçaria em alumínio polido, e o resto é história.