O concelho que se segue
Quase 12 anos depois de estar à frente da câmara de Tavira, Macário Correia prepara-se para rumar para Faro e devolver à cidade o estatuto de capital do Algarve, e assegura que não vai admitir mais que o quarto distrito na geração e na entrega de receitas ao Estado seja penalizado, em termos de investimento público. Se ganhar, vai começar por… pagar a fornecedores e devolver a credibilidade à câmara.
Estamos a poucos meses de eleições. O que é que ainda lhe falta fazer na câmara de Tavira para sentir que deixa “a casa arrumada”?
Ninguém pode fazer obra em tão pouco tempo. Quem promete isso próximo de eleições não está a ser sério, está apenas a criar ilusões e eu não preciso disso. Quando faltam cerca de três meses para concluir o meu dever junto da população de Tavira, estou de consciência tranquila por aquilo que aqui fiz ao longo de 12 anos. Não é esta a altura de tomar grandes decisões, porque essas já foram tomadas em vários projectos que desenvolvemos e que serão continuados. Quando muito, vou inaugurar algumas infra-estruturas, como um lar em Cachopo ou espaços desportivos em Santo Estêvão. Cabe-me apenas assegurar a gestão da autarquia até ao dia das eleições.
Encerrando este ciclo de quase 12 anos na liderança deste município, se olhar para trás, quais são as grandes diferenças que vê em relação à Tavira de hoje? Qual é o retrato de Tavira antes e depois da gestão de Macário Correia?
É sempre complicado ser eu próprio a fazer essa avaliação, seria preferível ouvir os cidadãos. Mas, procurando ser justo, julgo que hoje a câmara é completamente diferente no seu staff e no investimento que se fez em equipamento e património. Foram recuperados igrejas, conventos e monumentos, equipamento social e desportivo, com nítida melhoria do nível de qualidade de vida dos tavirenses. A par disso, houve um investimento muito significativo na área do turismo e do comércio e fez- -se obra também na requalificação urbana e dos espaços verdes. Olhando para a Tavira de há 12 anos e para a actual realidade deste município são muitas as diferenças.
Rui Amaro, o candidato do PSD a Tavira, será um “digno” sucessor na presidência da câmara?
Eu voto nele. Acredito que ele e as pessoas que fazem parte da minha equipa podem continuar o trabalho que eu tenho vindo a desenvolver.
No anúncio da sua candidatura a Faro, disse que essa decisão se deveu a um forte apelo das pessoas para voltar a fazer de Faro uma referência. Esse apelo vinha a ser feito desde quando?
Há anos que as pessoas me pediam para me dedicar a Faro e eu fui adiando essa decisão. Mas agora que se concluiu um ciclo em Tavira, porque como sabe há um limite de 12 anos ao exercício consecutivo de mandatos, penso que é a altura certa.
Admitindo que é eleito, como aliás as sondagens deixam antever, com que cenário terá de lidar? Que balanço faz da anterior gestão camarária que, nas últimas duas décadas, foi desempenhada durante 16 anos por um executivo socialista?
Faro está em mau estado. Se estivesse em boas condições eu nem sequer seria candidato. A câmara está com muitas dívidas, com pouca produtividade nos serviços e a cidade carece de infra-estruturas. O concelho tem um conjunto de problemas que não são fáceis de resolver no actual cenário de crise económica e financeira. Fazer de Faro uma capital implica infra-estruturas e mais produtividade na câmara, assim como uma resposta aos fornecedores de um modo responsável, não podem existir dívidas que complicam a vida dos munícipes. O teatro e as salas de museus não têm condições para receber pessoas porque faltam coisas tão básicas como lâmpadas. E isso acontece porque os fornecedores não querem nada com a câmara, porque da experiência que têm a câmara não paga. Chegam a ser feitas requisições de material sem autorização para o efeito, isso é completamente irresponsável. A câmara está numa situação tal de ruptura que tem de se fazer uma gestão séria.