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Especial - Energia solar

Limpa e universal
O sol tem ganho nos últimos anos um interesse crescente por parte dos fornecedores de energia que se renderam às potencialidades deste recurso natural. Tendo em conta o posicionamento privilegiado no que se refere às horas de exposição solar anuais, não é de admirar que a maior central fotovoltaica do mundo esteja em Portugal.

Um grupo de investidores, liderado pela Inov- Capital, deu mais um passo em frente no sector da energia solar no nosso país, a 5 de Junho, ao adquirir os 51% que a Qimonda Portugal detinha na fábrica de células fotovoltaicas de Vila do Conde. Neste investimento – que atingiu os 150 milhões de euros e que vai criar 400 postos de trabalho directos numa primeira fase e mais 600 numa segunda – estão envolvidas outras grandes empresas e bancos nacionais, como a EDP Inovação, a Visabeira, a DST, o Banco Privado Atlântico, o Banco Espírito Santo e o Millennium bcp. De acordo com o ministro da Economia, Manuel Pinho, na unidade de Vila do Conde vai ganhar forma “um projecto integrado de construção de células e painéis solares que incorporam uma das tecnologias mais avançadas do mundo”. Actualmente parada, a fábrica vai arrancar com duas linhas de montagem, estando já planeadas mais para breve. Este projecto junta-se assim a outros que têm nascido no nosso país nos últimos anos e que contribuem para o objectivo do actual Governo que pretende, até 2010, atingir os 150 Megawatts (MW) de potência instalada em centrais fotovoltaicas. Compostas por painéis, estas centrais transformam a radiação solar em electricidade que entra directamente para a rede de distribuição. Graças aos módulos fotovoltaicos disponíveis no mercado, os edifícios podem igualmente fazer este aproveitamento directo da luz do sol, nomeadamente em Portugal, que é um dos países da Europa com mais horas de exposição solar. Em média, o sol brilha 1600 horas por ano no norte do país e até 3300 no sul, segundo os dados divulgados pelo Instituto de Meteorologia. Bem mais fria e nebulosa, a Alemanha continua a liderar a tabela dos Estados- -membros da União Europeia no que toca à capacidade instalada em painéis fotovoltaicos. No entanto, foi no Alentejo, mais propriamente em Serpa, que nasceu há cerca de dois anos aquela que era, na altura, a maior central do mundo, composta por 52 mil painéis fotovoltaicos e uma potência de 11 MW. No ano passado, foi a vez de Ferreira do Alentejo ter assistido ao início das obras de outra central fotovoltaica de grande dimensão. Com uma potência instalada de 12 MW, a Central Solar de Ferreira do Alentejo nasceu pela mão do grupo português de energias renováveis Generg, que se estreou assim em projectos desta natureza.
Foram investidos 45 milhões de euros e instalados mais de 63 mil módulos nesta obra que prevê produzir energia limpa durante 25 anos. A funcionar parcialmente desde o passado mês de Março, a central “vai evitar a importação anual de 7000 toneladas de fuel e permitir poupar 12 mil toneladas de emissões de CO2”, explicou o administrador do grupo Generg, Hélder Serranho. Segundo os dados fornecidos pela empresa, a energia gerada poderá satisfazer cerca de 75% do consumo anual energético no concelho de Ferreira do Alentejo.
Actualmente, a ACCIONA Energía é a responsável pelo maior parque solar fotovoltaico do mundo, o qual se encontra em pleno funcionamento desde Dezembro de 2008. Instalado em Amareleja, no concelho de Moura, uma das regiões portuguesas onde o sol é mais forte no pico do Verão, este complexo representou um investimento de 261 milhões de euros e tem uma capacidade instalada de 46,41 MW, pelo que providencia energia suficiente para 30 mil lares, evitando a emissão de cerca de 90 toneladas anuais de CO2. No entanto, aquele que é considerado o projecto mais ambicioso nesta área irá situar-se em Victoria, na Austrália, e compreenderá um total de 154 MW capazes de satisfazer o consumo de 45 mil casas. Esperando-se que entre em funcionamento em 2013, os primeiros testes deverão acontecer já no próximo ano.
 
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