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Entrevista - Manuel Monteiro
“Paulo Portas
é um menino”
Nesta entrevista, realizada um dia antes de o líder do Partido da Nova Democracia (PND) se decidir a avançar para a corrida às intercalares
em Lisboa, Manuel Monteiro já evidenciava posições de ruptura. A completa extinção das empresas municipais, que só servem de “complemento de vencimento” dos autarcas, é uma delas. Monteiro parece não temer a força das palavras e acusa Portas de estar na política em função de “repiques” e para que o sirvam. Ao Governo, deixa aplausos e alguns recados. |
Apesar de o PND ser relativamente jovem, já lhe consegue apontar vitórias?
Obviamente que o resultado alcançado nas últimas eleições legislativas na Madeira, em que conseguimos levar Baltasar Aguiar a um mandato, é uma grande vitória, sobretudo porque acontece na estreia do PND em eleições regionais. Permitiu-nos dizer que somos um partido que também elege pessoas. Já temos autarcas, nomeadamente em Barcelos, mas reconheço que esta eleição foi tão mediatizada que permitiu colocar a Nova Democracia na agenda política.
Quais são os objectivos da sua liderança? Até onde é que quer levar o PND?
Eu gostaria que a Nova Democracia participasse num futuro Governo. Acho que Portugal tem uma política manca, porque não tem uma verdadeira direita ao nível do Parlamento. No quadro da União Europeia, é um dos poucos países onde a direita se chama a si própria de centro. Em contrapartida, a Nova Democracia não tem qualquer tipo de vergonha em assumir que é claramente de direita. Acreditamos, por isso, que o nosso posicionamento poderá recentrar o debate político, que está completamente tombado do centro para a esquerda. E, nessa perspectiva, creio que a ambição de colocar a Nova Democracia no mapa governamental é justa, apesar de estar consciente de que há um longo caminho por percorrer.
Tarefa essa dificultada pelo descrédito e distanciamento dos cidadãos em relação aos partidos políticos.
Completamente.
Cada um de nós tem responsabilidades nessa matéria. Apesar de tudo, acho que sou o que tem menos. A propósito de descrédito, quis a coincidência que ficássemos a saber agora possíveis candidatos às eleições intercalares para a Câmara Municipal de Lisboa. É espantoso como partidos como o PSD e o PS precisam de ir buscar, respectivamente, um autarca que está em pleno exercício do mandato para que foi eleito em Sintra ou o número dois do Governo, o que, neste último caso, implica uma remodelação governamental. A confirmar-se o nome do doutor Fernando Roboredo Seabra pelo PSD, na corrida a Lisboa, é lamentável que ele saia de Sintra depois de ter obtido a confiança dos eleitores para exercer um mandato. No caso do António Costa, de quem também sou amigo, acho extraordinário como é que alguém que está a ter um papel importante no Executivo, sai para se candidatar a Lisboa. Este tipo de situações, para além de revelar o esgotamento dos grandes partidos, cria junto dos cidadãos a ideia de que se vota num político, e ele, a qualquer altura, bate com a porta em função de outros interesses que não os de quem o elegeu. O engenheiro António Guterres saiu antes que o seu mandato tivesse terminado. O doutor Durão Barroso abandonou o barco, preferin-do ir para a Comissão Europeia. São exemplos concretos que contribuem para pôr no patamar zero, ou menos do que zero, todos os que fazem política.
É descredibilizante!
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Politicamente apaixonado
Manuel Monteiro assume que, “se pudesse”, dedicava-se apenas à política. Só o pronunciar a palavra inebria-o, evidenciando que não hesitaria em abdicar de actividades como a docência – que exerce no Instituto Politécnico de Tomar e na Universidade Lusíada no Porto –, para se dedicar em exclusivo à política.
Foi eleito líder do CDS-PP num congresso
em Lisboa, em 1992. Tinha apenas 29 anos
e veio a obter, nas legislativas de 1995, uma das maiores votações de sempre do partido, com mais de meio milhão de votantes. Porém, demitiu-se em 1997, após um mau resultado nas autárquicas. Em 2003 fundou
o PND por dissidências com o seu sucessor na presidência do CDS-PP, Paulo Portas.
Nas últimas eleições legislativas, em 2005,
foi a sétima força política mais votada
(39.999 votantes, 0,7 %).
Aos 45 anos, diz não se deixar abalar minimamente por um passado político perturbado por alguns reveses provocados por pessoas que lhe eram tidas como próximas, caso de Paulo Portas, e assume
a ambição de levar o PND ao poder. Para já,
a meta mais próxima é a autarquia lisboeta. |
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