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Ensino - Público versus Privado
O que dizem as estatísticas?
Que o ensino pode ser um negócio, ninguém
duvida. Agora, até que ponto é que o objectivo lucro interfere ou não no know-how do aluno, ninguém arrisca. Mas as estatísticas sugerem
que as pautas do ensino superior privado em Portugal são mais positivas do que as do público.
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A polémica em torno das reais habilitações do primeiro-ministro, José Sócrates, deu um novo enquadramento aos banais comparativos entre o ensino público e o privado em Portugal. No caso do Ensino Superior, as opiniões dividem-se, mas se
o único critério desse confronto se circunscrever pura e simplesmente a factos, quem fica a ganhar na compa-ração é o privado. Pelo menos, é esta a conclusão de um estudo disponibilizado pelo Observatório da Ciência
e do Ensino Superior (OCES). O organismo, tutelado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Supe-rior, apresenta no seu site um rela-tório intitulado “Sucesso Escolar no Ensino Superior”.
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O documento, de 106 páginas, reporta-se ao ano lectivo de 2004/05 e baseia-se em dados fornecidos pelos próprios estabelecimentos de ensino. Neste estudo estatístico, adoptou-se a metodologia da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económicos (OCDE), que relaciona os diplomados, num determinado ano lec-tivo, com os alunos que se inscreveram, no primeiro ano, pela primeira vez. O critério, designado de survival rate, considera igualmente a duração normal do curso.
Partindo desta base, a direcção de Serviços de Estatística e Indicadores do OCES não chega a qualquer tipo de conclusão ou, se o faz, não a fornece. Antes se limita a apresentar uma “síntese geral por tipo de ensino e natureza do estabelecimento”, uma “sín-tese por unidade orgânica” e, finalmente, “valores por estabelecimento e curso”.
Privadas de sucesso
Da análise da primeira síntese atrás referida (ver tabela), percebe-se que a taxa de sucesso no ensino superior não público, em média, está cerca de 4% acima da registada pelo público. No seu global, isto é, o conjunto do ensino universitário, politécnico e Universidade Católica Portuguesa tem uma taxa de sucesso de 68,1%, ultrapassando os 64,8% das universidades e politécnicos públicos.
A Universidade Internacional da Figueira da Foz (UIF – 95,60%), a Universidade Portucalense Infante D. Henrique (87,40%), a Universidade Lusíada de Vila Nova de Famalicão (79,50%) e a Universidade Lusíada de Lisboa (76,20%) são, por ordem, os estabelecimentos de ensino com as mais altas taxas de sucesso. A UIF pode mesmo gabar-se de as suas licenciaturas em Ges-tão e Psicologia excederem o pleno, com a primeira a registar uma taxa de sucesso de 100% e a segunda de 115,4% – valor só explicável pelas transferências). Nesta universidade, apenas a licenciatura de Direito revela algum grau de insucesso (21,6%), embora fraco. A Portucalense faz-se notar, sobretudo, pela exorbitância das taxas de sucesso associadas às suas licenciaturas de Informática (ramo educacional) e de Matemática, cada uma a chamar a si 310% e 252%, respectivamente. Já no caso da Lusíada, de entre seis licenciaturas, apenas duas estão abaixo dos 50% de taxa de sucesso, com as de Arquitectura e de Engenharia Têxtil a aproximarem-se dos 100% e as de Engenharia e Gestão Industrial e de Contabilidade a ultrapassarem essa percentagem (114,3% e 109,1%, respectivamente).